Variantes do coronavírus já podem estar circulando pelo Paraná

É possível, quiçá até provável, que ao menos uma das variantes do novo coronavírus já esteja circulando pelo Paraná, com especial destaque à cepa carioca. Descoberta no final do ano passado por pesquisadores do Rio de Janeiro, a nova linhagem dfoi identificada em uma amostra de genoma do estado enviada à Rede Corona-ômicaBR/MCTI, que faz a vigilância genômica do coronavírus. Conforme a geneticista Carolina Voloch, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do Paraná, estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Paraíba, Alagoas e Amazonas também já registraram casos de Covid-19 causados pela nova cepa do vírus.

No caso paranaense, entretanto, também é alta a possibilidade de outra variante já estar circulando: a do Amazonas. Isso porque nove moradores de Manaus que viajaram para Curitiba nos últimos 15 dias são suspeitos de serem portadores da variante amazônica do novo coronavírus. Um dos infectados – uma mulher que estava entubada em hospital particular – morreu no final de semana em decorrência da doença. Os outros estão em isolamento social e sendo monitorados, ao mesmo tempo em que são aguardados os exames que confirmarão (ou não) se essas pessoas foram infectadas pela variante.

Mas afinal, o que são essas variantes do coronavírus e como elas surgiram? Mais: é possível que isso tudo venha a agravar a crise sanitária e a atrapalhar os esforços para vacinar a população?

Em verdade, neste momento se há mais perguntas do que respostas definitivas. Mas as primeiras evidências já estão aí – e não são muito animadoras, adianto.

Começando ‘pelo início’, é importante destacar que as mutações fazem parte da evolução natural das epidemias virais, acontecendo principalmente nos vírus de RNA, como os coronavírus. O que acontece, na prática, é que os vírus, para se multiplicar no organismo, invadem as células. Durante o processo de reprodução, contudo, podem acontecer alterações no código genético e, quando há uma quantidade significativa de mutações, surgem novas cepas, que são microorganismos da mesma espécie, mas com características genéticas distintas.

Uma mudança encontrada nas três variantes, por exemplo, foi a N501Y, nome que se refere a uma alteração na proteína spike, do Sars-CoV-2, que é uma espécie de chave de como o patógeno interage com o corpo humano (tanto em relação à resposta imune quanto na ligação e entrada nas células das vias aéreas humanas). Na posição 501, onde o vírus se liga ao receptor celular, o tipo de molécula de aminoácido mudou de asparagina (N) para tirosina (Y). Ao que tudo indica, a mudança parece fortalecer a ligação entre o patógeno e as células humanas, amplificando a capacidade de contágio do vírus.


“O principal motivo que faz a emergência desse tipo de variante é o grande número de pessoas infectadas. Quanto mais pessoas infectadas você tem, mais você dá a chance do vírus evoluir. E aí estamos falando de milhões de pessoas infectadas em todo o mundo e hot spots. Nesses lugares com muitas pessoas infectadas, a chance de emergir um vírus com maior número de mutações é maior. Por isso, quando fazemos o distanciamento social e adotamos medidas de controle simples, como utilização de máscara e higienização das mãos com álcool em gel, estamos não só nos protegendo da infecção, mas, pensando de maneira coletiva, estamos freando a evolução do vírus”
do cientista Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia.

 

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